Todos os anos, milhares de vidas são salvas em virtude da doação de sangue. Com a crise do novo Coronavírus, essa realidade sofreu um baque. O número de doações despencou e a gente veio aqui para falar: pode doar, é seguro.
Como era de se imaginar, o isolamento social afastou os doadores. Agora, com a retomada das atividades, precisamos correr atrás do sangue perdido. Ele é vital. Ter acesso ou não a um estoque de sangue pode ser decisivo na vida de alguém.
Os profissionais da equipe multidisciplinar sabem bem da importância da doação de sangue na assistência à saúde dos pacientes. Enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e farmacêuticos acompanham de perto esse cenário.
Pensando nesse contexto, preparamos este conteúdo que reúne informações úteis a quem quer ser um doador. A ideia é também estimular quem não pensa nisso. Portanto, use e abuse dessse material!
Doação cai no Brasil
Levantamento do Ministério da Saúde aponta que o volume de doação de sangue caiu cerca de 20% durante a pandemia da Covid-19. A queda na reserva de alguns hemocentros do País foi de 50%. Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro estão na relação de estados que mais sentiram essa redução.
Os estoques de sangue dos hemocentros precisam de reposição frequente. Quem doa contribui para cirurgias emergenciais e para o tratamento de doenças como anemias crônicas, dengue, febre amarela, tratamento de câncer e outras enfermidades.
Não podemos deixar o desabastecimento ocorrer. O sangue doado é fundamental para pacientes oncológicos, pessoas com deficiências imunológicas, recém-nascidos e até pacientes com Covid-19 precisam vez ou outra recorrer à doação.
É seguro doar sangue na pandemia?
A resposta é sim. Segundo informações do Ministério da Saúde, as medidas para prevenção e combate à Covid-19 estão sendo adotadas pelos hemocentros de todo País.
Os cuidados com a higiene e a antissepsia já eram rotina nesses espaços. Com a pandemia, a atenção redobrou. A doação de sangue está sendo feita por meio de agendamentos, o que facilita ainda mais.
Ao chegar no hemocentro, o doador faz a coleta com distanciamento entre as cadeiras e todo o processo ocorre de forma tranquila. Nada de aglomeração e higiene de sobra.
Vale frisar que você pode doar e logo após tomar a vacina da Covid-19. Mas, o inverso não acontece. É preciso estar por dentro das restrições quanto ao Coronavírus. A gente fala disso abaixo.
Restrições da Covid-19
Entre os impedimentos temporários para a doação de sangue, vale destacar este: quem teve o Coronavírus precisa esperar a completa recuperação. Recomendam, nesses casos, que a coleta seja após 30 dias.
É bom informar sobre sua condição e só doar se estiver sem os sintomas. Quem já foi infectado ou acabou de receber a vacina também deve aguardar e seguir as recomendações das autoridades.
Saber o que diz cada imunizante é fundamental. É preciso levar em conta também se você teve alguma reação à vacina. Acompanhe as orientações da Anvisa sobre doação de sangue após a vacina da Covid-19.
Cuidados após doar sangue
Fez a coleta de sangue para doar? Parabéns! O organismo irá repor o volume de sangue doado nas primeiras 24 horas após a doação.
Enquanto isso, é importante tomar alguns cuidados. Evitar esforços físicos por pelo menos 12 horas é um deles. Nada de dirigir veículos de grande porte, trabalhar em andaimes ou em locais que demandam mais disposição. Aguarde o dia seguinte.
Atividades como mergulho ou paraquedismo também não são recomendadas. O mesmo vale para práticas similares. Quem fez a doaçaõ também precisa esperar para fazer uso de bebidas e cigarros.
No lugar disso, cuide-se! Tenha uma alimentação nutritiva e leve durante o dia e beba muita água.
Quem pode doar sangue
Para estar habilitado a doar sangue é preciso cumprir alguns requisitos. Aqui a gente compartilha os principais deles:
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Ter entre 16 e 69 anos. A primeira doação tem que ter sido realizada até os 60 anos de idade.
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Menores de 18 necessitam do consentimento formal do responsável legal. Recomenda-se, inclusive, que o jovem esteja acompanhado por um dos pais.
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Pesar 50 kg ou mais.
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Não ter tido doenças como Hepatite B, Hepatite C, Doença de Chagas, Sífilis, AIDS (HIV), Malária e Vírus linfotrópico da célula T humana (HTLV).
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Alterações no hemograma com diminuição de hemácias ou hemoglobina, por exemplo, também são impeditivos.
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Quem faz uso de drogas ilícitas injetáveis não pode doar.
Como doar sangue
Sendo habilitado a doar, é só agendar sua coleta. Fique atento ao preparo, detalhado logo a seguir.
A doação é uma demanda que cabe perfeitamente na nossa agenda. O procedimento completo (cadastro, aferição de sinais vitais, teste de anemia, triagem clínica, coleta do sangue e lanche) dura uma média de 40 minutos. Rapidinho, né?
O Ministério da Saúde tem uma página bem completa sobre como doar e quem pode fazer a doação de sangue.
Outra dica é entrar em contato com o hemocentro mais perto de você para tirar suas dúvidas. Quer doar mas não sabe aonde ir? Confira essa relação de hemocentros do Brasil e agende sua coleta.
Preparo para a doação de sangue
Uma vez habilitado para fazer a doação, é necessário seguir um check-list básico antes da coleta. Confira as orientações.
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Esteja alimentado e evite a ingestão de alimentos cheios de gordura nas três horas que antecedem a coleta.
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Se for após o almoço, é indicado esperar duas horas.
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O doador precisa ter dormido no mínimo 6 horas nas últimas 24 horas antes da coleta
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Nada de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação, viu?
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Homens podem doar sangue no máximo quatro vezes ao ano. As mulheres, três vezes.
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Entre uma doação e outra, o homem deve dar um intervalo de no mínimo dois meses. As mulheres precisam espaçar mais: três meses.
O que pode te impedir de doar sangue hoje
Se você é habilitado a doar sangue, é preciso saber se este é o melhor momento. Além das orientações quanto à Covid, que mencionamos acima, há outros impeditivos temporários.
Como essas condições são passageiras, é só aguardar para agendar sua coleta. Tudo para que a doação ocorra da melhor forma possível para o doador e o paciente que irá receber o sangue.
Tenha atenção a esses fatores:
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Gripe, resfriado e febre: nesses casos, aguardar sete dias após o fim dos sintomas.
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Período gestacional: não é possível doar sangue.
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Período pós-gravidez: mulheres terão que esperar 90 dias para doar no caso de parto normal e 180 dias no caso de cesárea.
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Amamentação: só é possível doar até 12 meses após o parto, ok?
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Quem passou por alguma extração dentária precisa aguardar por 72 horas e certificar-se de que está tudo bem.
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Se está em dúvida quanto às vacinas, fora Covid-19, saiba que cada imunizante tem um tempo de impedimento. Faça contato no Hemocentro e fale sobre o seu caso.
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Algumas condições de saúde merecem cautela. É necessário aguardar seis meses após o desfecho do tratamento de doenças como: colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem seqüelas graves, tireoidectomia e colectomia.
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Para quem teve apendicite, hérnia, amigdalectomia e problemas com varizes, é preciso esperar no mínimo três meses antes de doar sangue.
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Quem realizou procedimentos com endoscópio também precisa esperar. É indicado que aguarde no mínimo seis meses.
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Se a sua preocupação é com tatuagens e piercings, anote aí: nada de doar sangue até completar no mínimo um ano de procedimento.
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Ah, quem fez transfusão de sangue deve aguardar 12 meses.
Homens gays podem doar sangue
Até pouco tempo atrás, homens gays não podiam doar sangue, mesmo preenchendo todos os requisitos. Essa realidade mudou.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogou em julho de 2020 a determinação que restringia a doação de sangue por homossexuais do sexo masculino.
Desde então, o Ministério da Saúde passou a reforçar que a orientação sexual do candidato não pode ser aplicada como critério na triagem clínica de possíveis doadores. A decisão foi uma grande conquista para toda sociedade.
Quer saber mais? Confira esse conteúdo da Sanar Saúde que fala mais sobre a doação de sangue de homens gays após decisão do STF.
Outra dica incrível é esse guia de doação de sangue para pessoas LGBTQIA+.
Ah, e vê se não vai embora antes de ler esse artigo que fala de como a proposta do sangue LGBT ser válido ganhou força.
É com essa notícia boa que encerramos por aqui. Este texto chegou ao fim. A necessidade de doar sangue, não.
Pense nisso. Se puder, doe!