A psicologia é ciência: precisamos falar de psicologia baseada em evidências | Colunista

Introdução

A psicologia hoje é reconhecida como ciência, porém nem sempre esteve nessa colocação, pois surgiu a partir do meio filosófico. O início da busca por reconhecimento cientifico decorreu dos trabalhos de Wilhelm Wundt por volta de 1879, com intuito de basear suas práticas em técnicas e instrumentos mais eficazes (ARAUJO, 2003).

A partir disso a correlação entre Ciência e Psicologia nos direciona a uma nova ideia dentro da sua atuação, conhecida como Prática Baseada em Evidências, essa surge com intuito de promover o melhor tratamento aos seus pacientes e assim “aproximando” a psicologia a sua colocação científica. 

Para que possamos então compreender do que se trata a Psicologia Baseada em Evidências, se faz necessária uma revisão acerca do termo ciência, a fim de explicar também como se dá o encontro entre Psicologia e evidências cientificas. 

A definição mais completa, segundo Lakatos e Marconi (2008), do termo ciência é apresentada como um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, metódicos, sistematizados e verificáveis, ou seja, a ciência não se trata de uma verdade absoluta e imutável, se trata de evolução.

Dessa forma, ao falarmos em Psicologia e evidências científicas, falamos de algo relativamente novo e devido a isso é possível que ainda persistam muitas marcas de sua antiga visão filosófica. No entanto a Psicologia é ciência, precisamos falar sobre Psicologia baseada em evidências, pois como área da saúde é de grande importância que tenha métodos pertinentes e seguros.

O que é a Psicologia Baseada em Evidências? 

A Psicologia Baseada em Evidências é uma prática, também chamada de “PBE”, que surgiu a partir da Medicina Baseada em Evidências e atualmente vem sendo estudada por outras áreas da saúde, a Psicologia é uma delas.  

É definida como uma abordagem que busca oferecer um tratamento seguro e eficaz de acordo com as evidências científicas disponíveis e por consequência reduzir a probabilidade de erro nos tratamentos.

Essa seria então uma das melhores propostas da Psicologia enquanto ciência, pois ao se basear em evidências nos proporciona o conhecimento do estudo mais atual e eficaz em diversos assuntos, além do que, não se firma a nenhuma abordagem teórica (American Psychological Association, 2006).

O que essa abordagem propõe então? 

A psicologia tem sido uma das áreas da saúde mais requisitadas e por isso é de extrema relevância a promoção do conhecimento sobre a PBE e sobre como esta funciona, o que nos direciona a um dos principais objetivos dessa abordagem, a definição do melhor tratamento para seu paciente. 

Os critérios apresentados por esta prática contribuem para uma maior probabilidade de êxito nas intervenções, com isso existem três aspectos considerados como base para a realização do tratamento dentro desse conceito, são eles a melhor evidência científica disponível, a expertise clínica e as particularidades do cliente, exemplificados na figura 2. 

A fim de compreender como se dá o processo de identificação da melhor evidência disponível, partimos para o primeiro ponto, interpretar como funciona o nível das evidências, através da pirâmide das evidências apresentados na figura 1. 

Fernandes, Melnik e Regine (2014) relatam que as evidências serão classificadas através de estudos científicos, os quais possuam maior credibilidade e precisão em condutas terapêuticas e preventivas. Aqui vale salientar que nem todas as publicações disponíveis hoje possuem caráter científico.

Figura 1


FONTE: RHAYSSA

Na base da pirâmide podemos encontrar os níveis mais baixos de evidências apresentadas em estudos, consecutivamente ao subir cada “degrau”, se considera mais alto o nível de evidência, logo mais eficaz.

“Recomenda-se, de preferência, a busca por evidências de nível I, ou seja, revisões sistemáticas, que avaliam todos os ensaios clínicos randomizados, publicados ou não, e dão embasamento para determinada conduta ser tomada ou não e qual o grau de certeza esta dará àquela decisão.” (FERNANDES, MELNIK & REGINE, 2014, p. 2)

Nessa perspectiva o melhor tratamento é aquele que consegue provar através das revisões sistemáticas ou ensaios clínicos randomizados que os seus resultados têm maior efetividade e garantia que outros tratamentos, estando, assim, suspensa a decisão com base referencial teórico do profissional. 

O segundo ponto diz respeito a expertise clínica que matem relação com a experiência clínica do profissional. “Os profissionais fazem uso de suas habilidades clínicas e experiências passadas no diagnóstico, riscos individuais e benefícios de intervenções potenciais.” (FERNANDES, MELNIK E REGINE 2014, p.3). Ou seja, este se trata do conhecimento do profissional e sua experiência para aplicação do tratamento.

O terceiro e último ponto trata das preferências do paciente, isso implica levar em consideração as ideias, os valores e as limitações do mesmo. O psicólogo é quem dá o parecer final em relação a intervenção particular ou tratamento, porém o envolvimento ativo de um cliente é crucial para o sucesso dos serviços psicológicos (American Psychological Association, 2006).

Figura 2

Conclusão

A PBE apesar de relativamente nova no campo da Psicologia vem crescendo cada vez mais e ganhando espaço no meio clínico. Essa prática nos propõe suspender, inicialmente, nossos pensamentos e ideias particulares para enfim dar espaço ao melhor tratamento, assim possibilitando a atenuação do sofrimento do paciente/cliente de forma segura e com maior probabilidade de êxito. 

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Referências 

American Psychological Association/ Presidential Task Force on Evidence-Based Practice. Evidence-based practice in Psychology. American Psychologist. May-Jun, 2006.                                                                                                          
ARAUJO, S. F. A obra inicial de Wundt: um capítulo esquecido na historiografia da psicologia. Revista do Departamento de Psicologia da UFF, 2003.                            

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Projeto e relatório de pesquisa. In: Metodologia do trabalho científico. 2 a . ed. São Paulo: Atlas, 1987. Metodologia científica. 5. ed. ver. ampl. São Paulo: Atlas, 2008.                                                                              
FERNANDES, Wanderson; MELNIK, Tamara; REGINE, Marcele. A importância da prática da psicologia baseada em evidências: aspectos conceituais, níveis de evidência, mitos e resistências. Costarricense de Psicologia, São José, Costa Rica, vol. 33, número 2, p. (1 – 15), julho – dezembro, 2014. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/4767/476747238008.pdf. Acesso em: 31 de março de 2021.

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