Homeopatia: O que é? funciona? | Colunista

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A homeopatia é uma terapia com mais de 200 anos de história e que gera muita discussão e polêmica. Existem vários trabalhos e artigos científicos, tanto a favor quanto contra a essa terapia. Com isso, faremos aqui uma análise sobre o que é a homeopatia; se funciona, e se sim, como se dá esse processo de funcionamento.

No ano de 1796, o médico Samuel Hahnemann, através de suas pesquisas, afirmou que as mesmas substâncias produzidas em um indivíduo com sintomas semelhantes a de uma determinada doença, também tem potencial de curá-las. Dessa forma, regendo o princípio de que “semelhante cura semelhante”, nomeou esse processo de homeopatia. O remédio homeopático, além de ser um “medicamento” sem contraindicações, consiste na diluição do princípio ativo semelhante a doença, de maneira que essa dissolvição provoque o desaparecimento do efeito, técnica chamada de dinamização. 

Quão diluído o medicamento homeopático deve ser? 

Aproximadamente, quase todos os medicamentos homeopáticos utilizam a diluição de 30c. Essa consiste em 1 gota do princípio ativo diluída em 99 gotas de água, e esse procedimento precisa ser realizado 30 vezes seguidas. Com isso, a medicação homeopática já nem se quer possui o seu princípio ativo. 

No século XVIII, quase não se tinham estudos sobre microbiologia. Não havia muitos registros sobre a existência de bactérias, vírus e protozoários. Ao longo dos anos, com o desenvolvimento e avanço da ciência médica, percebeu-se, assim, que a forma de destruir uma doença só se daria por meio do combate a esses patógenos. Isso fez com que os métodos utilizados antes fossem estudados e  testados e, assim sendo, a homeopatia tornou-se inclusa às pesquisas, perdendo credibilidade científica e sendo conhecida hoje como medicina alternativa.

 Mas por que medicina alternativa? 

Quando se tem uma doença, a medicina procura investigar os sintomas, buscando descobrir o que está os causando, e é neste momento que o patógeno é descoberto. Feito isso, será executada uma forma de eliminá-lo do organismo. Já em relação aos princípios homeopáticos, não há nenhum estudo que comprove sua eficácia em nosso organismo, mas ainda sim, muitos afirmam que esse procedimento já curou várias pessoas no mundo todo. 

Muitos cientistas se questionam sobre a eficácia dessa terapia. Os estudos realizados até o dado momento mostraram que os pacientes que tomaram os remédios homeopáticos, tendo o conhecimento do processo, obtiveram resultados de melhora de suas enfermidades. Sendo assim, o que podemos concluir é que a homeopatia funciona, não é mesmo? Não, antes de dizer isso vamos falar um pouco sobre o placebo. 

Efeito Placebo

Em 1955 o médico Henrry Beecher descobriu que pessoas em tratamento, mesmo que com medicamentos falsos (como pílulas de açúcar), eram curadas por acharem que estavam sendo de fato tratadas, processo esse chamado de efeito placebo. O trabalho de Beecher baseou-se em comparar o paciente que recebeu um tratamento com o medicamento com aquele que realizou um tratamento sem medicações, e assim, ele teria o conhecimento sobre a eficácia de determinados remédios e processos de cura. Desta forma, o médico mostrou que a melhora dos pacientes dava-se para além dos medicamentos aos quais eles estavam tomando, ou seja, a cura era feita também pela crença dos mesmos ao tratamento. O placebo ativa várias vias no cérebro que diminuem a ansiedade e o estresse, resultando em uma melhora física real, tanto consciente quanto inconsciente. 

A homeopatia é igual ou diferente do placebo? 

Podemos dizer que a homeopatia tem resultado indistinguível ao do placebo. Sendo assim, os estudos mostram que   o tratamento homeopático não faz nenhum efeito nas pessoas além do placebo. Além disso,  ele não passa nos testes clínicos já que o seu seguimento é o mesmo que o dado procedimento. 

Problemas da homeopatia

Após várias revisões sistemáticas houve a conclusão de que muitos estudos sobre a homeopatia possuem sérios problemas de metodologia com forte tendência ao viés, o que é incorreto em um trabalho científico, pois todos os estudos devem ser realizados de forma imparcial. Com as informações apresentadas acima, eu tenho o seguinte questionamento: Na época em que se iniciaram as terapias homeopáticas havia a crença no tratamento devido a pouca informação e conhecimento que se tinham naquele tempo. Mas atualmente, ao levarmos em consideração todo o avanço da ciência e assim entendermos melhor como a terapia é regida, a qual possui efeito idêntico ao placebo, vale a pena continuar sendo feita a sua aplicação?

Temos que pensar na ética, pois é direito do paciente saber o que será consumido e como funciona. Também precisamos levar em conta as mortes e os agravamentos de doenças em pessoas que tiveram tratamentos apenas homeopáticos. Por isso, é preciso rever nossos conceitos para essa terapia, pois, apesar de não ter contraindicação e não fazer um mal direto é possível o agravamento ao indivíduo que possui um problema sério de saúde, já que a doença não será tratada de maneira correta.

Grandes países já têm se posicionado em relação ao placebo, removendo a homeopatia dos investimentos públicos e assim, não a colocando ao nível da medicina moderna. Acreditam que as pessoas devem estar plenamente conscientes do que consomem, e sendo assim, eles investem em terapias e tratamentos adequados com comprovação de eficiência. 

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Referencias   

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  4. https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/questao-de-fato/2019/02/02/agua-nao-tem-memoria-e-gelo-nao-se-emociona

  5. https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/artigo/2019/10/31/homeopatia-e-diluicao-infinita-do-bom-senso

  6. https://sciencebasedmedicine.org/homeopathy-and-evidence-based-medicine-back-to-the-future-part-iv/

  7. https://www.nature.com/articles/334287a0

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  10. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20471615/

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  12. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28521961/