Ventosaterapia: conheça a técnica que melhora a dor e a circulação | Colunista

https://www.sanarsaude.com/portal/carreiras/artigos-noticias/colunista-fisioterapia-e-concurso-publicoQue nos anos 50 foi introduzida em todos os hospitais da China e o uso da sua prática foi disseminado. Outras culturas também conheciam e utilizavam esse tipo de tratamento. 

Segundo Cunha (2006), não se sabe quem iniciou o uso da ventosa, o que podemos citar é que sua prática vem desde o antigo Egito sendo mencionada nos escritos de Hipócrates. No passado a sociedade tinha o hábito de fazer sucção com a boca  para extrair o veneno por mordida de animais raivosos. 

As ventosas também foram utilizadas pelos índios norte americanos e na medicina islâmica; eram feitas de chifres, vidro ou metal e usadas para tratar doenças diversas como dores torácicas, problemas musculares, indigestão. 

Na Grécia  associavam o seu uso aos instrumentos cortantes e causava a sangria no lugar onde a ventosa era colocada com o objetivo de eliminar a matéria ofensiva do corpo. No Brasil, na década de 90 poucos se dedicava a técnica. Mas foi em 2016 nas olimpíadas do Rio de Janeiro quando  o nadador Michael Phelps apareceu  com marcas de aplicação da ventosa que despertou atenção, curiosidade e o uso  da técnica em cursos, consultórios e clínicas. 

No decorrer dos anos,  foi se tornando mais utilizada  e eficaz como massagem para sintomas originários de doenças causadas pela grande atividade e agitação da vida moderna, incluindo neste rol a ansiedade, fadiga e tensão muscular (Ilkay Zinhi Chirali, 2001).

Conceito da ventosaterapia:

A Ventosaterapia é um tratamento com copos “cups” que produzem vácuo quando contraídos na pele. O vácuo criado pela ventosa na pele promove sua sucção. Gerando uma pressão negativa interna que aumenta o volume sanguíneo da região. Dessa forma, os tecidos musculares são liberados e a circulação sanguínea melhorada.  

A forma como age no corpo:

A ventosaterapia tem sua relação direta com a circulação sanguínea. Libera os tecidos musculares e aumenta a oxigenação neles, ou seja, leva mais oxigênio para aqueles tecidos onde existe a estagnação do sangue, nutre as células e tecidos e leva hormônios de uma parte para outra do corpo.

De modo geral a circulação sanguínea  é importante na excreção de substâncias tóxicas ingeridas ou originadas no próprio organismo. 

Essa técnica  vem sendo ensinada e praticada de forma adequada.  Sendo utilizada de forma individualizada ou sendo complementar a outras terapias e tratamento para proporcionar uma melhora na saúde do paciente. Por isso, é necessário ter as informações de suas indicações e contraindicações para não prejudicar o processo de cura.

Nas indicações podemos mencionar o relaxamento muscular, eliminação da tensão muscular e pontos de gatilhos, relaxar o corpo e a mente. Também atua limpando o sangue, o que faz com que aumente a resistência do organismo às doenças, melhor respiração da pele. A ventosa drena as áreas de congestão e liberta o corpo do excesso de energia negativa (AMARO et al., 2015).

Em relação as contraindicações não podem ser utilizadas em pacientes com problemas vasculares, dermatites, tumores, feridas, fraturas, micoses. E estar atento a pessoas com pressão arterial descontrolada. Por isso é interessante sempre aferir a pressão do paciente.

Segundo Fernando Fernandes (2011), a Ventosaterapia, além de tratar problemas da saúde, pode também auxiliar no tratamento de problemas estéticos como estrias, gorduras localizadas, celulites.  Fornazieri (2005) diz que esta terapia, atua na prevenção e tratamento de rugas, pois estimula o aumento da produção de colágeno e elastina, além de promover oxigenação das células, drenagem linfática e contorno facial.

Também é realizado o tratamento de algumas patologias como asma, constipação, dor de cabeça, estresse, fadiga, insônia, lombalgia, problemas de indigestão. Além da manutenção da flxibilidade, controle do sistema circulatório.

As sessões de ventosaterapia podem variar de 20 a 30 minutos. Se forem mantidas por muito tempo pode-se formar uma bolha, se esta for grande deve ser furada para drenar o líquido, e seguidamente deve ser coberta para evitar infecção. 

Quando a aplicação das ventosas é realizada por meio da bomba,  o controle da pressão será exercida pela quantidade de ar que será retirado do interior da ventosa.  Como será mostrado a seguir:  A dosagem  de aplicação com a bomba são classificados como :fraco: Puxa a bomba apenas 1 vez; médio: Puxa a bomba 2 vezes e forte: Puxa a bomba de 3 a 4 vezes.

Existem vários tipos de ventosas: 

Ventosas de chifre: confeccionadas com chifres de animais, como o boi e o búfalo,  seu exterior deve ser  trabalhado e lixado para evitar que algumas proeminências fiquem expostas e causar ferimentos no paciente.

 Ventosa de bambu: pode ser associada a técnicas orientais, como a aplicação de ervas durante a ventosaterapia. É a mais utilizada na China, devido à facilidade do cultivo de bambu na região.

Ventosa de Borracha: É ondulada e tem uma sucção intensa e não é a mais utilizada.

Ventosa de vidro:  Fácil higienização e esterilização. Ideal para que o profissional consiga enxergar as cores das marcas de ventosas na pele. 

Ventosa de Acrílico com válvula: Bastante utilizada atualmente. Contém uma válvula  e uma bomba manual, na qual o profissional encaixa a ventosa na bomba através da válvula e assim bombeia fazendo uma sucção,com esse procedimento o terapeuta consegue controlar a força através das puxadas na bomba.  Vantagens de um valor mais acessível, material resistente, fácil higienização por conta do material de acrílico, além de ser leve e transparente. 

Retiradas da Ventosas: 

Após a retirada das Ventosas, o profissional deve analisar a região e buscar por todas as possíveis reações (Reginaldo Filho, 2016). É normal que o local da aplicação apresente uma coloração diferente do restante da pele , podendo aparecer manchas de várias tonalidades  e ficar dolorido por alguns dias. Podem servir de parâmetro na avaliação do tratamento feito pelo fisioterapeuta. 

A reação pigmentada da pele é relacionada com a falta de oxigenação do sangue e acúmulo de toxinas na pele. Logo tem a cor que retorna rapidamente ao normal, levemente rosada. A coloração vermelho escuro sem brilho significa estase do sangue, vermelho escuro brilhante ( calor no sangue), roxo claro ( frio no interior e não está circulando de modo adequado) paciente mais arroxeada está ligada com a menor oxigenação do sangue e o maior acúmulo de toxinas.  Ou seja, a cor está diretamente relacionada a dor do paciente em alguns casos. 

Conclui-se que a ventosaterapia vem trazendo resultados terapêuticos ao longo dos anos. A técnica pode ser utilizada de forma integrativa ou complementar em vários tratamentos. Trazendo inúmeros benefícios como relaxamento para o corpo e mente, aumento da oxigenação local , eliminação de pontos gatilhos entre outros.   

Além de ser  um método promissor, de baixo custo, está inserido nas Práticas integrativas e Complementares (Pics), apresentando resultados positivos  desde que o tratamento seja organizado de acordo com o perfil de cada indivíduo.

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Referências:

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SANTOS, Elisângela Maria Ferreira doset al.O USO DA VENTOSATERAPIA COMO RECURSO FISIOTERAPÊUTICO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA. 2020. Disponível em: https://tcc.fps.edu.br/handle/fpsrepo/945. Acesso em: 14 abr. 2021. 

VINAGRE, Luciana Mendes Acupuntura estética: o uso da ventosaterapia para tratar a celulite. 2019. Disponível em: https://www.cetn.com.br/imprensa/acupuntura-estetica-o-uso-da-ventosaterapia-para-tratar-a-celulite/20190903-140943-d158. Acesso em: 14 abr. 2021. 

SILVEIRA, Luciana Pâmela Cavalcanteet al.O USO DA VENTOSATERAPIA E SUA ATUAÇÃO NA ESTÉTICA. Disponível em: https://doity.com.br/media/doity/submissoes/5d9f9164-15ac-4d17-ba38-77c343cda1d7-submisso-final-template-resumo-expandido-conexao19pdf.pdf. Acesso em: 15 abr. 2021. 

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