Sedação consciente: uma ferramenta para odontopediatria e para pacientes especiais | Colunista

O atendimento odontológico a pacientes portadores de necessidades, bem como os que são associados a odontopediatria, exigem ainda mais cuidado e técnica por parte dos profissionais envolvidos. Estes pacientes, de maneira individualizada, deverão ser vistos como um todo, e submetidos às melhores escolhas de tratamentos da maneira mais assertiva, rápida e eficiente.

Sabemos que o paciente portador de necessidade especial envolve múltiplos fatores, e o fato dele ser um paciente excepcional pode ter diversos motivos. Por definição, o PPNE é todo indivíduo que apresenta qualquer tipo de condição que o faça necessitar de atenção diferenciada e especializada, seja por um período de sua vida ou indefinidamente.  Neste sentido, incluímos pacientes que estejam passando por
tratamentos oncológicos, gestantes, deficientes físicos e deficientes mentais. Portanto, trata-se de uma gama multivariada de personalidades e condições que precisam estar dentro do escopo do especialista em atendimento a estes pacientes.

Diante da necessidade de tomada de decisões, a partir da consciência e conhecimento sobre os casos, o profissional deverá ser motivado para a execução de procedimentos de maneira a oferecer satisfação e conforto para o paciente, bem como ao seu responsável, trazendo inclusive satisfação pessoal ao profissional que conduzir a experiência do tratamento. A condição de excepcionalidade do paciente deve ser tratada com respeito e, para tanto, podemos fazer uso de alguns artifícios durante o atendimento a fim de facilitar a execução de procedimentos mais complexos e viabilizar o tratamento por completo.

É válido ressaltar que os indivíduos portadores de necessidades especiais costumam ser muito beneficiados por toda e qualquer técnica de manejo e gerenciamento comportamental, farmacológicas ou não, que visem estabelecer comunicação, bem como controlar dor, medo e ansiedade. Estes benefícios se estabelecem por diversos motivos, sendo eles pelo fato de apresentarem imaturidade cognitiva associada ao seu próprio desenvolvimento, por distúrbios neurológicos, distúrbios motores, incapacidade de colaboração, ou mesmo por alguma necessidade sistêmica inviabilizem a possibilidade de passar por estresse intenso.

Diante destas necessidades clínicas, podemos lançar mão de algumas ferramentas medicamentosas como benzodiazepínicos, analgesia, sedação consciente, sedação venosa, ou mesmo anestesia geral propriamente dita.

Para discussão deste breve artigo, o enfoque está principalmente no uso da sedação consciente por via inalatória para este tipo de pacientes. Nestes casos, a sedação consciente é, então, obtida através do uso de uma mistura de gases contendo óxido nitroso e oxigênio para atendimento a nível ambulatorial de
pacientes portadores de necessidades especiais.

Seu uso é considerado como seguro e eficiente para pacientes que tenham correta indicação, como artifício de manejo. Sua ação é muito rápida, e a sua administração deve ser conduzida de maneira crescente,
iniciada em doses baixas que vão aumentando criteriosamente até a concentração ideal determinada para o paciente. O fato da sedação inalatória ser muito aceita atualmente está associado justamente à esta possibilidade de ajuste da dosagem e concentração da droga, sendo considerada segura.

Esta sedação inalatória consiste no uso de um equipamento específico associado a uma máscara nasal, e exige curso de habilitação específico pelo profissional que quiser oferecê-la. Pelo desenvolvimento de equipamentos de cada vez maior precisão, a técnica vem ganhando espaço. Porém, apesar das complicações serem pouco observadas, pode causar náuseas e vômitos (caso seja feito uso prolongado ou em concentrações altas), bem como causar hipóxia residual se não for oferecido oxigênio puro pelo tempo necessário.

Mesmo assim, não há contraindicação absoluta para a técnica, devendo apenas termos atenção aos pacientes psicóticos, primeiro trimestre da gestação, pacientes com problemas respiratórios crônicos ou com algum tipo de obstrução das vias aéreas superiores.

A maior limitação para o uso desta técnica hoje é, ainda, o custo do material, espaço para o equipamento e necessidade de treinamento e habilitação por parte do cirurgião-dentista e equipe.

Porém, devemos sempre lembrar que os pacientes portadores de necessidades especiais estão mais sujeitos a danos associados a rejeição de tratamentos e insucesso no manejo comportamental, portanto a realização da sedação consciente pode ser considerada uma excelente alternativa, segura e eficiente,
quando outros métodos forem ineficientes para a realização de procedimentos odontológicos, devendo ser considerada mesmo antes de se partir para uma tentativa de anestesia geral ou tratamento a nível hospitalar.

Dra. Samantha Sousa (CRO-DF 12.880)
Instagram: @odontista / @drasamanthasousa

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REFERÊNCIAS

DE ASSIS, C. Dentistas para lá de especiais. Revista Brasileira de Odontologia, v. 71, n. 1, p. 58, 2014.

OLIVEIRA, A. L. B. M.; GIRO, E. M. A. Importância da abordagem precoce no tratamento odontológico de pacientes portadores de necessidades especiais. Odonto, p. 45-51, 2011.

CALDAS, L. A. F. et al. Estudo da viabilidade da sedação consciente com a mistura oxido nitroso/oxigênio em serviço odontológico público. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas, 2008.