Polimerização de compostos

 

  A resina apresenta uma matriz orgânica formada por moléculas muito pequenas conhecidas como monômeros. Os monômeros são unidades básicas da matriz. Ao se unirem quimicamente em cadeiras longas, por meio de um processo conhecido como polimerização, os monômeros formam macromoléculas conhecidas como polímeros.

O PROCESSO DE POLIMERIZAÇÃO

A matriz orgânica das resinas compostas é a parte quimicamente ativa do material, responsável por sua transformação de uma massa plástica em um sólido rígido. Essa reação ocorre por meio da ativação de um sistema acelerador-iniciador que, em analise simplista, gera radicais livres, que quebram duplas ligações (carbono-carbono) dos monômeros e, em seguida, geram novos radicais livres, que promovem a união dos monômeros em polímeros.

INDUÇÃO: Primeira fase, sempre se inicia com a quebra das moléculas de iniciador por ação do ativador, gerando radicais livres.  A presença de radicais livres do início à PROPAGAÇÃO, uma reação em cadeia caracterizada pela quebra das ligações duplas presentes nos monômeros. No momento em que a ligação dupla é quebrada, o monômero é ativado e passa a agir como um novo radical livre, fazendo com que a reação prossiga até que duas moléculas ativas se unam, trocando energia e fechando a cadeia de polímero – fenômeno conhecido como TERMINAÇÃO.

Grau de conversão : percentual de monômeros que tem suas ligações duplas (C-C) rompidas, formando polímeros. É desejável que a taxa de conversão seja sempre a mais alta possível.

  • A foto ativação permite um bom controle do tempo de trabalho, o que facilita a escultura, o uso de inúmeros incrementos e diferentes massas desses compósitos.  Entretanto, a polimerização só ocorre onde ela chega e gera uma transformação do estado “plástico” para o “rígido” de maneira rápida. É por essa razão que a polimerização química ainda é usada, em especial em cimentos resinosos.
  • Canforquinona : Ela é excitada pela luz azul visível, com pico de absorção em torno de 470 mm. Uma desvantagem é sua coloração excessivamente amarelada.
  • PPD e a Lucerina : não apresentam coloração amarelada. Seu pico de absorção de luz situa-se em uma faixa – 400-450 mm.

CONTRAÇÃO DE POLIMERIZAÇÃO:

  A reação de polimerização é caracterizada pela aproximação das moléculas de monômero e, consequentemente, por uma redução no volume do material. Quanto maior o volume de matriz, maior a concentração e vice-versa. O grau de contração ainda é influenciado pelo tipo de matriz e pelo comprimento das moléculas de monômero, uma vez que quanto menor a cadeia molecular, maior o número de ligações covalentes necessárias para a formação de polimentos.

  Assim, matrizes compostas por monômeros com cadeias menores e mais simples, sofrem maior contração ao se unirem em polímeros, do que monômeros com cadeias mais longas e de maior peso molecular. Outro aspecto que influencia na contração é o volume de carga incorporado à matriz orgânica – quanto maior o volume de carga, menor a quantidade de matriz utilizada no material e, consequentemente, MENOR a contração volumétrica.

ESTRESSE DE POLIMERIZAÇÃO:

 Com a contração de polimerização e a consequente redução do volume do material, são geradas tensões na interface entre o compósito e os substratos dentais, em virtude da união adesiva entre eles Quando as forças relacionadas ao estresse de contração são superiores à resistência adesiva, pode ser criado um espaço- uma ruptura da união – que pode ter consequências clinicas indesejadas, como a infiltração marginal e todos os problemas que a ela se relacionam (manchamento, carie secundaria).

Quando o estresse de contração é alto, porém não suficiente para romper a união adesiva, é possível que as forças sejam transmitidas ao remanescente, causando problemas como flexão de cúspides e sensibilidade pós-operatória.  Pode ocorrer também trincas no esmalte periférico, especialmente quando este se encontra fragilizado e sem suporte dentinário. 

  Dentre os principais fatores que influenciam eou modulam a magnitude do estresse de polimerização  : – o volume de material que está sendo polimerizado; as propriedades físico-mecânicas do material, em especial o modulo de elasticidade; a técnica de polimerização utilizada, em especial no que diz respeito à velocidade e à maneira como a reação de polimerização é conduzida; e a técnica de inserção de incrementos de compósito.  Ou seja, quanto maior o volume de material sendo polimerizado maior o estresse de polimerização. Da mesma forma, quanto maior o modulo de elasticidade da resina composta, maior o estresse associado a polimerização.

FASE PRÉ-GEL, PONTO GEL, FASE PÓS-GEL: As tenções decorrentes da contração são dissipadas pela deformação da resina composta, principalmente das superfícies livres em direção às aderidas. Essa deformação é possível graças à grande mobilidade que as moléculas apresentam durante essa fase inicial da reação, conhecida como fase pré-gel.

A partir desse momento – ponto gel- em que a complexidade das cadeias poliméricas impede o reposicionamento molecular, o composto não mais é capaz de sofrer deformação sem que esta seja acompanhada de tensões internas. Assim, do ponto gel até o final da reação de polimerização- fase pós-gel – toda a contração é acompanhada de estresse.

FATOR C: Quanto maior for a área aderida em relação à área livre, menor será a possibilidade de deformação e, consequentemente, maior será o estresse de polimerização. O fator C = fator de configuração cavitária. O fator C pode ser compreendido como a razão entre o número de superfície aderidas pelos números de superfícies livres existentes em uma cavidade. Ex: uma cavidade classe I oclusal, diz-se que tem o fator C igual a 5, já que são cinco paredes aderidas (vestibular, lingual, mesial, distal e pulpar), e apenas uma superfície livre disponível para a liberação do estresse (oclusal).

TECNICAS DE INSERÇÃO INCREMENTAL:

  Permite melhor controle do estresse de polimerização. Nas cavidades Classe I oclusais, por exemplo, normalmente se procede a reconstrução da dentina de cada uma das cúspides individualmente e, na sequência, faz-se o mesmo com os compósitos referentes ao esmalte. Essa tática, além de permitir um bom controle do fator C, também facilita a reprodução das características cromáticas dos dentes naturais, graças a possibilidade de empregar materiais com cor e translucidez diferenciadas durante a reconstrução do esmalte e da dentina.

Em classe II, a face proximal, geralmente, reconstruída por meio da técnica de incrementos oblíquos.  Nessa técnica o objetivo básico é unir cada incremento ao menor número possível de paredes simultâneas, por meio de repetidos acréscimos de compósito com conformação triangular, tentando com isso controlar a direção dos vetores de contração de polimerização. Existe também a técnica horizontal (não é a melhor opção). O ideal, para permitir um bom controle de fator C e uma polimerização adequada, é que cada incremento de compósito apresente espessura máxima de 2 mm.

 OBSERVAÇÕES FINAIS:

Compósitos mal polimerizados apresentam propriedades físico-mecânicas inadequadas, além de certa toxidade, devido ao monômero residual. 

 

Por Sanar

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