Pesquisa realizada no país aponta as dificuldades enfrentadas pelos profissionais da área de enfermagem

 

A Fiocruz, através de uma iniciativa do COFEN, realizou, na última quarta-feira, 06, a pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil. Foi o maior estudo da América Latina sobre a categoria profissional, abrangendo um universo de mais de 1.6 milhões de trabalhadores, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares. Os resultados da pesquisa apontaram um desgaste profissional em 66% dos entrevistados, e grande concentração dos profissionais na região Sudeste, além de um quadro profissional, do país, composto por 80% de técnicos e auxiliares e de 20% de enfermeiros.

A pesquisa, realizada em aproximadamente 50% dos municípios brasileiros e em todos os 27 estados da Federação, incluiu desde profissionais no começo da carreira (auxiliares e técnicos, que iniciam com 18 anos; e enfermeiros, com 22) até os aposentados (pessoas de até 80 anos). “Traçamos o perfil da grande maioria dos trabalhadores que atuam no campo da saúde. Trata-se de uma categoria presente em todos os municípios, fortemente inserida no SUS e com atuação nos setores público, privado, filantrópico e de ensino. Isso demonstra a dimensão da pesquisa, que não contempla apenas os que estão na ativa, mas a corporação como um todo”, comentou a coordenadora-geral do estudo e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Maria Helena Machado.

No quesito mercado de trabalho, 59,3% das equipes de enfermagem encontram-se no setor público, 31,8% no privado, 14,6% no filantrópico e 8,2% nas atividades de ensino. A pesquisa foi encomendada pelo COFEN para determinar a realidade dos profissionais e subsidiar a construção de políticas públicas. “Este diagnóstico detalhado da situação da enfermagem brasileira é um passo necessário para a transformação da realidade”, afirmou o presidente do COFEN, Manoel Carlos Neri.

Cerca de 27 mil profissionais de Enfermagem tem uma renda mensal menor que o salário mínimo e um elevado percentual (16,8%) declarou ter renda total de até R$ 1.000,00. A dificuldade de encontrar emprego também foi relatada por 65,9% dos profissionais de enfermagem. Na avaliação do presidente Manoel Neri, os dados evidenciam a necessidade de aprovação de piso salarial para a categoria e um controle maior sobre os cursos de formação. “O que vemos é a proliferação desordenada de cursos de qualidade duvidosa, e, mais recentemente, a formação por cursos de Educação à Distância, que considero um crime contra a Saúde da população brasileira”, afirmou, ressaltando a importância da mudança de postura do Ministério da Educação (MEC), responsável por autorizar o funcionamento dos cursos.

Por Sanar

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